
Machado de Assis nasceu em 21 de Junho de 1839 no Morro do livramento, Rio de Janeiro, uma região que sofria forte influência católica. Seus pais eram Francisco José de Assis, um mulato que pintava paredes, e Maria Leopoldina da Câmara Machado, lavadeira açoriana.
Quando Machado tinha um ano de idade, em 1840, decretava-se a maioridade de D. Pedro II, tema que viria a tratar anos mais tarde em Dom Casmurro. Ao completar 10 anos, Machado tornou-se órfão de mãe, e o pai viúvo tão logo perdera a esposa casou-se com Maria Inês da Silva em 18 de junho de 1854, que cuidaria do garoto quando Francisco viesse a morrer um tempo depois. Segundo escrevem alguns biógrafos, a madrasta confeccionava doces numa escola reservada para meninas e Machado teve aulas no mesmo prédio, enquanto à noite estudava língua francesa com um padeiro imigrante. Certos biógrafos notam seu imenso e precoce interesse e abstração por livros. Mudou-se com seu pai para o São Cristóvão, na Rua São Luís de Gonzaga nº48 e logo o pai se casou com sua madrasta Maria Inês.
Em 1854, publicou seu primeiro soneto, dedicado à "Ilustríssima Senhora D.P.J.A", assinando como "J. M. M. Assis", no Periódico dos Pobres. No dia 12 de janeiro de 1855, Brito publicou os poemas "Ela" e "A Palmeira" na Marmota Fluminense, revista bimensal do livreiro. Estes dois versos, reunidos junto àquele soneto para a Dona Patronilha, fazem parte da primeira produção literária de Machado. Aos dezessete anos, foi contratado como aprendiz de tipógrafo e revisor de imprensa. Aos 21 anos de idade Machado já era uma personalidade considerada entre as rodas intelectuais cariocas. A esta altura já era conhecido por Quintino Bocaiúva, que o convidou para o Diário do Rio de Janeiro, onde Machado trabalhou intensamente como repórter e jornalista de 1860 a 1867.
Em 1865, Machado havia fundado uma sociedade artístico-literária chamada Arcádia Fluminense, onde tivera a oportunidade de promover saraus com leitura de suas poesias e estreitar contato com poetas e intelectuais da região. No ano de 1867, subiu a escala funcional como burocrata, e no mesmo ano foi nomeado diretor-assistente do Diário Oficial pelo D. Pedro II. À época de seu serviço no Diário do Rio de Janeiro, teve seus ideais combativos com idéias progressivas; por conta disso seu nome foi anunciado como candidato a deputado pelo Partido Liberal — candidatura que logo retirou por querer comprometer sua vida somente às letras.
Carolina despertara a atenção de muitos cariocas; muitos homens que a conheciam achavam-na atraente, e extremamente simpática. Com o poeta, jornalista e dramaturgo Machado de Assis não fora diferente. Tão logo conhecera a irmã do amigo, logo apaixonou-se. Os irmãos Miguel e Adelaíde não concordaram que ela se envolvesse com um mulato. Contudo, Machado de Assis e Carolina Augusta se casaram no dia 12 de Novembro de 1869. Os dois não tiveram filhos, no entanto, Machado de Assis e Carolina Augusta teriam vivido uma "vida conjugal perfeita" por longos 35 anos.
Em 20 de outubro de 1904, Carolina morre aos 70 anos de idade. Foi um baque na vida de Machado, que passou uma temporada em Nova Friburgo. Machado lhe dedicou seu último soneto, "A Carolina“, o túmulo de Carolina era visitado todos os domingos por Machado. Em 1897 Machado de Assis junto a outros poetas fundam Academia Brasileira de Letras. Unanimente, Machado de Assis foi eleito primeiro presidente da Academia logo que ela havia sido instalada, no dia 28 de janeiro do mesmo ano. Mas ainda abalado com a morte da esposa, entrou em profunda depressão, notada pelos amigos que lhe visitavam, e ficou cada vez mais recluso. Antes de sua morte, Machado viu publicar suas últimas obras: Esaú e Jacó, Memorial de Aires e Relíquias da Casa Velha Em 1º de julho de 1908, Machado de Assis entra em licença para tratamento de saúde, e nunca mais retorna ao Ministério da Viação. Personalidades ilustres, como o Barão do Rio Branco, e intelectuais ou colegas, vão visitá-lo.
Com a morte de sua esposa, Machado efetua segundo e último testamento em 31 de maio de 1906, instituindo sua herdeira única "a menina Laura", filha de sua sobrinha Sara Gomes da Costa e de seu esposo major Bonifácio Gomes da Costa.
Ás 3h20m de 29 de setembro de 1908 na casa de Cosme Velho, Machado de Assis morre aos sessenta e nove anos de idade com uma úlcera canceriosa na boca, sua certidão de óbito relata que morrera de arteriosclerose generalizada, incluindo esclerose cerebral, o que, para alguns, figura questionável pelo motivo de mostrar-se lúcido nas últimas cartas já relatadas. Ao geral, teve uma morte tranqüila, cercado pelos companheiros mais íntimos que havia feito no Rio de Janeiro: Mário de Alencar, José Veríssimo, Coelho Neto, Raimundo Correia, Rodrigo Otávio, Euclides da Cunha, etc.
A obra machadiana constitui-se de 9 romances e 9 peças teatrais, 200 contos, 5 coletâneas de poemas e sonetos, e mais de 600 crônicas. Suas primeiras produções foram editadas por Paula Brito, e, mais tarde, por Baptiste-Louis Garnier.

Simão Bacamarte é o protagonista, médico conceituado em Portugal e na Espanha, decide enveredar-se pelo campo da psiquiatria e inicia um estudo sobre a loucura e seus graus, classificando-os. Conhece dona Evarista da Costa, uma mulher que não possuia nenhuma beleza, mas que tinha uma perfeita saúde onde o médico imaginava que assim ela iria lhe dar filhos saudaves. Dona Evarista não deu ao médico os filhos que ele tanto queria, então Bacamarte se entrega ainda mas aos estudos, onde Funda a Casa Verde, um hospício na vila de Itaguaí e abastece-o de cobaias humanas, para as suas pequisas. Passa a internar todas as pessoas da cidade que ele julgue loucas; o vaidoso, o bajulador, a supersticiosa, a indecisa, etc. Costa, rapaz pródigo que dissipou seus bens em empréstimos infelizes, foi preso por mentecapto. A prima de Costa que intercedeu pelo sobrinho também foi trancafiada.
O mesmo acontece com o poeta Martim Brito, amante das metáforas, internado por que se referiu ao Marquês de Pombal como o dragão aspérrimo do Nada. Nem D. Evarista, esposa do Alienista escapou: indecisa entre ir a uma festa com o colar de granada ou o de safira. O boticário, os inocentes aficcionados em enigmas e charadas, todos eram loucos. No começo a vila de Itaguaí aplaudiu a atuação do Alienista, mas os exageros de Simão Bacamarte ocasionaram um motim popular, a rebelião dos canjicas, liderados pelo ambicioso barbeiro Porfírio.
Porfírio acaba vitorioso, mas em seguida compreende a necessidade da Casa Verde e alia-se a Simão Bacamarte. Há uma intervenção militar e os revoltosos são trancafiados no hospício e o alienista recupera seu prestígio.
Entretanto Simão Bacamarte chega á conclusão de que quatro quintos da população internada eram casos a repensar. Inverte o critério de reclusão psiquiátrico e recolhe a minoria: os simples, os leais, os desprendidos e os sinceros. O alienista contudo, imbuído de seu rigor científico percebe que os germes do desequilíbrio prosperam porque já estavam latentes em todos.
Analisando bem, Bacamarte verifica que ele próprio é o único sadio daquele local. Por isso o sábio internou-se na Casa Verde, onde morreu dezessete meses depois. Apesar do boato de que ele seria o único louco de Itaguaí, recebeu honras póstumas. Indiscultivelmente o único demente do conto realista é Simão Bacamarte.
Ele é o louco de Itaguaí e quer prender os outros para usa-los como cobaia nas suas experiencias, logo o casarão da Casa Verde se torna um hospício.
PERSONAGENS PRINCIPAIS
Dr. Simão Bacamarte: È o protagonista da estória. A ciência era o seu universo – o seu "emprego único", como diz. "Homem de Ciência, e só de Ciência, nada o consternava fora da Ciência" (p. 189). Representa bem a caricatura do despotismo cientificista do século XIX (como está no próprio sobrenome). Acabou se tornando vítima de suas próprias idéias, recolhendo-se à Casa Verde por se considerar o único cérebro bem organizado de Itaguaí.
D. Evarista: É a eleita do Dr. Bacamarte para consorte de suas glórias científicas. “Embora não fosse “bonita nem simpática”, o doutor a escolheu para esposa porque ela “reuni condições fisiológicas e anatômicas de primeira ordem”, estando apta para dar-lhes filhos robustos, e inteligentes”. Chegou a ser recolhida à Casa Verde, certa vez, por manifestar algum desequilíbrio mental.
Crispim Soares: Era o boticário. Muito amigo do Dr. Bacamarte e grande admirador de sua obra humanitária. Também passou pela Casa Verde, pois não soube "ser prudente em tempos de revolução", aderindo, momentaneamente, à causa do barbeiro.
Padre Lopes: Era o vigário local. Homem de muitas virtudes foi recolhido também à Casa Verde por isso mesmo. Depois foi posto em liberdade porque sua reverendíssima se saiu muito bem numa tradução de grego e hebraico, embora não soubesse nada dessas línguas. Foi considerado normal apesar da aureola de santo.
Porfírio: O barbeiro - sua participação no conto é das mais importantes, posto que representa a caricatura política na satírica machadiana. Representa bem a ambição de poder, quando lidera a rebelião que depôs o governo legal. Foi preso na Casa Verde duas vezes; primeiro, por Ter liderado a rebelião; segundo, porque se negou a participar de uma Segunda revolução: "preso por Ter cão, preso por não Ter cão".
